segunda-feira, 9 de agosto de 2010

FILÓSOFOS DE BOTECO

Um bar deserto... Os garçons guardavam as mesas embalados por uma voz aveludada, numa noite fria de dezembro. 

Os respingos da chuva escorriam pelos vidros das janelas laterais, e o dia parecia muito triste - ótimo para tomar uns drinques descompromissadamente (...). Só existia uma mesa ocupada naquele bar. Eram dois homens de meia idade que sempre sentavam no mesmo lugar, e sempre eram os últimos a sair (estavam a tomar a saideira). 

Comemoravam o aniversário de um deles, de uma forma nada convencional; pareciam desconsolados por algum motivo, falavam em voz alta e deixavam qualquer um a par das suas conversas. Os garçons, já habituados com aquela cena, os chamavam de "Filósofos de Boteco".

Os assuntos eram dos mais variados... Mas o papo "fim-de-noite" sempre era sobre o "Amor". E por mais que discutissem, sempre iam para casa sem saber as respostas que suas sábias perguntas queriam. A amizade dos dois surgiu quando falavam sobre o mesmo asusnto, naquele mesmo bar. Um deles, o mais impulsivo, tinha o mal de "gostar demais". Já o outro, o mais sentimental, pensava que nunca mais iria amar alguém. Talvez esse seja o motivo por serem tão amigos: ambos procuram entender a essência do amor:


- Pois é, amigo... Minha vida já foi muito mais simples, até descobrir que a gente também pode se machucar por amar alguém!

- Se você acha a sua vida complicada, imagine a minha, pois só consigo amar projeções momentâneas que surgem, uma vez por outra, nos meus sonhos!

- Como assim, Amigo?

- Não sei explicar bem.... Ela simplismente surge...!
- Sempre linda!  E com ela eu consigo sonhar, dentro do meu próprio sonho. Entendeu?

- Não!!!

- Eu disse que era complexo...!!!


Escrito por alguém que não sabe o que é o Amor, mas que faz questão de amar...


(Raphael "Ph" Ramos)

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