Um bar deserto... Os garçons guardavam as mesas embalados por uma voz aveludada, numa noite fria de dezembro. Os respingos da chuva escorriam pelos vidros das janelas laterais, e o dia parecia muito triste - ótimo para tomar uns drinques descompromissadamente (...). Só existia uma mesa ocupada naquele bar. Eram dois homens de meia idade que sempre sentavam no mesmo lugar, e sempre eram os últimos a sair (estavam a tomar a saideira).
Comemoravam o aniversário de um deles, de uma forma nada convencional; pareciam desconsolados por algum motivo, falavam em voz alta e deixavam qualquer um a par das suas conversas. Os garçons, já habituados com aquela cena, os chamavam de "Filósofos de Boteco".
Os assuntos eram dos mais variados... Mas o papo "fim-de-noite" sempre era sobre o "Amor". E por mais que discutissem, sempre iam para casa sem saber as respostas que suas sábias perguntas queriam. A amizade dos dois surgiu quando falavam sobre o mesmo asusnto, naquele mesmo bar. Um deles, o mais impulsivo, tinha o mal de "gostar demais". Já o outro, o mais sentimental, pensava que nunca mais iria amar alguém. Talvez esse seja o motivo por serem tão amigos: ambos procuram entender a essência do amor:
- Pois é, amigo... Minha vida já foi muito mais simples, até descobrir que a gente também pode se machucar por amar alguém!
- Se você acha a sua vida complicada, imagine a minha, pois só consigo amar projeções momentâneas que surgem, uma vez por outra, nos meus sonhos!
- Como assim, Amigo?
- Não sei explicar bem.... Ela simplismente surge...!
- Sempre linda! E com ela eu consigo sonhar, dentro do meu próprio sonho. Entendeu?
- Não!!!
- Eu disse que era complexo...!!!
Escrito por alguém que não sabe o que é o Amor, mas que faz questão de amar...
(Raphael "Ph" Ramos)
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